Geral
BRASILIDADE - Quem são e onde vivem
Sexta, 8 de Maio de 2009 - 9:58hs

Valdfrid Schönrock
XOKLENG: O povo Xokleng vive em Santa Catarina
O refrão da canção de A. Nóbrega e W. Freire (acima) aponta para a imensa sociodiversidade indígena presente na sociedade brasileira. Essa diversidade aparece nos numerosos povos existentes e nos diversos contextos em que estão inseridos. Hoje no Brasil vivem cerca de 460 mil indígenas, distribuídos entre 225 povos. Esse dado se refere àqueles que vivem em aldeias. Além desses, há entre 100 e 190 mil vivendo fora das terras indígenas, muitos em espaços urbanos, mas que mantêm relações com suas comunidades de origem. Há também povos ainda não contatados e grupos que estão requerendo o reconhecimento de sua condição de povo indígena. São cerca de 180 línguas indígenas faladas em território brasileiro. Essa diversidade mostra-se nas diversas famílias linguísticas existentes: Arawak, Karib, Tupi, Jê, Yanomami, Puinave, Tukano, Katukina, Pano, Mura, Chapacura, Nambikwara, Guaykuru.

Jörg Böthling
KULINA: O povo Kulina-Madiha vive no Médio Juruá, no Amazonas
No Brasil existem em torno de 847 terras indígenas, presentes em quase todos os estados. Essas terras pertencem à União. A Constituição Federal, em seu artigo 231/1988, confere aos indígenas o direito sobre as terras que tradicionalmente ocupam, que são necessárias para suas atividades produtivas e imprescindíveis à sua reprodução física e cultural. Encontramos territórios minúsculos para uma população numerosa, principalmente no sul do Brasil, como o caso da Aldeia Guarani da Estiva (Viamão/RS), que tem sete hectares para 22 famílias com 119 pessoas. Terras com grandes extensões e uma população menor são encontradas especialmente na região amazônica.

Arquivo COMIN
GUARANI: O povo Mbyá-Guarani vive em Coxilha (RS). A nação Guarani está presente em todo o sul do Brasil e tem hábitos nômades
Em relação aos processos de demarcação das terras indígenas, o estágio é desigual. Muitas já estão homologadas, enquanto outras se encontram em processo de reconhecimento, e há as que não têm nenhum tipo de regularização. Várias áreas são alvos de invasão de garimpeiros, madeireiros e posseiros. Muitas estão no centro de complexos conflitos. O conflito atual mais conhecido é o da terra Raposa Serra do Sol, em Roraima. Sua extensão é de 1,7 milhão de hectares contínuos, onde vivem cerca de 16 mil indígenas Macuxi, Uapixana, Ingaricó, Taurepangue e Patamona. A legislação prevê que as empresas arrozeiras e os demais posseiros sejam retirados da área, mas as autoridades daquele estado continuam insistindo na homologação fatiada para preservar fazendas. Esse território, no entanto, é indispensável para a sobrevivência física e cultural daqueles povos.

Arquivo COMIN
APURINÃ: O povo Apurinã vive na região do Purus, no Amazonas
A educação nos contextos indígenas caracteriza-se atualmente por dois modelos formais diferenciados: a educação indígena tradicional e a educação escolar nacional. Todos os povos indígenas têm processos educativos próprios, que incluem pedagogias, métodos e conteúdos específicos que orientam a educação de crianças, jovens e adultos. Essa educação não é algo indefinido, mas tem educadores com rosto e voz; tem dias e momentos, tem materiais didáticos, tem fases em que se requer mais dedicação. Os saberes incluem conhecimentos sociais e culturais de que também fazem parte matemática, linguística, história, geografia, biologia. A educação escolar nacional está presente na maioria das aldeias indígenas como elemento importante de aprendizado do contexto brasileiro. O processo de escolarização acontece de forma diferenciada e traz significados diferentes para cada povo.

Arquivo COMIN
DENI: O povo Deni vive na região do Xeruã, no estado do Amazonas.
Hoje, o acesso à universidade também é garantido aos indígenas pelo sistema de cotas nas universidades federais ou em universidades particulares que estabelecem vagas para cursos superiores. Indígenas também já estão presentes em cursos de pós-graduação, como mestrado e doutorado. Os povos indígenas possuem um conhecimento sofisticado dos ecossistemas, de medicina, de geografia, de biologia, de nutrição, entre outros. Muitos desses saberes ainda não são valorizados no contexto brasileiro. Isso tem propiciado a biopirataria, praticada por instituições científicas do exterior, que fazem pesquisas junto a esses povos, patenteando esses conhecimentos como seus.

Semana dos Povos Indígenas

O cartaz e o caderno de estudos da Semana dos Povos Indígenas 2009 (13 a 19 de abril) têm como tema “O Modo de Ser Guarani”. O material foi preparado pelo Conselho de Missão entre Índios (COMIN) e representantes Guarani de aldeias do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O objetivo desse material é proporcionar informações sobre a vida de povos indígenas que vivem em território brasileiro. Tanto o cartaz como o caderno são uma fonte alternativa de aprendizagem para a sociedade nacional. Informações complementares encontram-se no site www.comin.org.br.

* A autora é teóloga, mestre em Educação e coordenadora do Projeto de Formação do COMIN em São Leopoldo (RS)

Fonte: Cledes Markus *
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