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| Jornalista Beto Almeida |
A humanidade está usando de “maneira bárbara” as novas tecnologias. “Sequer conseguimos democratizar uma tecnologia do século XVI trazida por Gutenberg”, afirmou o jornalista Beto Almeida, da TV Senado, do Brasil, e membro da Junta Diretiva da Nova Televisão do Sul (Telesur), no painel sobre Processos de Comunicação e Cultura Solidária, tema do Mutirão da Comunicação, aberto ontem à noite em Porto Alegre.
A democratização da comunicação é o principal desafio na área apontada pelos painelistas Ismael González González, coordenador da ALBA Cultural e ex-vice-ministro de Cultura de Cuba, Fernando Checa Montúfar, diretor do Centro Internacional de Estudos Superiores de Comunicação para a América Latina (CIESPAL) e Carlos Augusto dos Santos, ministro de Comunicação do Paraguai.
Da forma como os meios de comunicação de massa estão organizados eles não servem à solidariedade, pois praticam um “jornalismo de desintegração cultural, trazendo valores do ‘superman’ quando somos Saci Pererê (personagem da mitologia brasileira)”, avaliou Beto Almeida.
O jornalista da TV Senado questionou os critérios de noticiabilidade aplicados pela imprensa. Lembrou que dois geólogos, um cubano e outro estadunidense, alertaram com antecedência a possibilidade de terremoto em Porto Príncipe, alerta que não teve repercussão na imprensa. Agora, é destaque na mídia quando lançam um novo perfume no mercado, comparou.
Lembrou, ainda, que o tsunami ocorrido no Mar Índico e parte do Pacífico foi detectado com oito horas de antecedência em sismógrafos dos Estados Unidos, mas nenhum esforço comunicacional foi empreendido para evacuar a população da área que seria atingida, o que resultou numa conseqüência bárbara, com milhares de mortos e feridos.
É preciso ousar novos conceitos de um jornalismo de integração, de solidariedade e de responsabilidade social, e desenvolver conceitos teóricos da área, desafiou Beto Almeida Montúfar disse que a cidadania comunicativa é um processo de múltiplas vozes, com espaços para a diversidade. González frisou que o conceito, muito em voga na igreja, de que é preciso dar voz aos sem voz carrega uma carga de periculosidade, uma vez que todas as pessoas têm voz, ela só não é amplificada.
“Temos que ser facilitadores da palavra”, definiu, enquanto seu colega equatoriano no painel defendia uma “comunicação sem ventríloquos”. Beto Almeida propôs a realização de uma Cúpula de Presidentes dos Países da América Latina e do Caribe para discutir a comunicação, uma vez que são eles os maiores alvos da crítica da mídia quando começam a quebrar paradigmas na área social, econômica e política que desagrada as elites.
O integrante da Telesur não acredita na possibilidade de uma comunicação democrática no contexto de uma economia cada vez mais cartelizada.
Edelberto Behs
Fonte: www.alcnoticias.com